Pesquisa aponta que 62% das mães percebem melhora na capacidade de realizar multitarefas após a maternidade
A presença feminina no mercado de trabalho vem crescendo de forma consistente nas últimas décadas. Paralelamente a esse avanço, também se ampliam as discussões sobre liderança, diversidade e desenvolvimento humano dentro das empresas. Nesse cenário, a maternidade tem deixado de ser associada apenas aos desafios da dupla jornada para também ser reconhecida como um fator de fortalecimento de competências estratégicas no ambiente corporativo.Uma pesquisa realizada para a Microsoft, divulgada pelo jornal britânico Daily Mail, revelou que 62% das mães que trabalham afirmaram ter melhorado a capacidade de realizar multitarefas após terem filhos. Além disso, 46% perceberam avanços na gestão do tempo e 27% relataram aumento da organização pessoal e profissional. O levantamento ouviu 2 mil profissionais e 500 empregadores.
As habilidades desenvolvidas após a maternidade, como inteligência emocional, capacidade de adaptação, organização, gestão do tempo e tomada de decisão, têm sido cada vez mais valorizadas pelas empresas, especialmente em ambientes dinâmicos e de alta complexidade.
Para o gerente de Planejamento Organizacional e Remuneração da FIEMG, Tito Borges, a experiência da maternidade impacta diretamente o desempenho profissional e contribui para o fortalecimento de competências importantes para o ambiente empresarial. “Conciliar a carreira materna com a vida profissional é um desafio constante. Ainda assim, as mães vêm se destacando no mercado de trabalho e aprimorando competências profissionais importantes para o ambiente corporativo”, afirmou Borges.
Segundo o gerente, a rotina da maternidade exige adaptação contínua, capacidade de resolução de problemas e equilíbrio emocional, características que refletem positivamente no ambiente organizacional. “As mães desenvolvem capacidade de adaptação, aprimoram a comunicação, ampliam conhecimentos e aprendem a lidar com situações novas e complexas. É um processo intenso de desenvolvimento humano e profissional”, destacou Borges.
Para ele, reconhecer as competências desenvolvidas pela maternidade também representa uma oportunidade estratégica para as empresas ampliarem produtividade, inovação e eficiência na gestão de equipes. “Não existe curso intensivo que prepare tão bem um profissional para lidar com desafios, adaptação e gestão de pessoas quanto a experiência da maternidade”, enfatizou Borges.
A CEO da Hercal, Danielle Magalhães, também percebeu mudanças significativas em sua atuação profissional após se tornar mãe. À frente de uma indústria do setor de fundição, localizada em Itaúna, na região Centro-Oeste de Minas Gerais, a empresária afirma que a maternidade ampliou sua capacidade de observação, escuta e análise de contextos, competências que passaram a influenciar diretamente sua forma de liderar equipes e tomar decisões.
Mãe de dois filhos, Danielle destaca que a experiência trouxe uma nova percepção sobre liderança e relações humanas dentro das empresas.“Passei a perceber, na prática, que uma empresa não é feita apenas de processos, indicadores, máquinas e metas. Empresas são feitas de pessoas. Liderar exige presença, percepção, firmeza, empatia, capacidade de adaptação e autopercepção”, ressaltou Magalhães.
Segundo a empresária, o mercado ainda precisa avançar na construção de ambientes corporativos mais preparados para acolher mães, especialmente em setores historicamente masculinos, como a indústria.
“O problema não está na maternidade, mas na forma como o mercado ainda organiza trabalho e carreira a partir de modelos que nem sempre consideram a realidade das mulheres mães”, afirmou Magalhães.
(Aline Alves Ferreira/ Regional Vale do Aço – FIEMG)
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